ÓPERA DE CÂMARA MARIA STUART


21 novembro 2026 - 21h30
Entrada Gratuita mediante levantamento de bilhete - M6

Integrado no Festival Terras Sem Sombra

Importa sublinhar a excepcionalidade desta apresentação.

A ópera encenada tem tido uma presença rara em Beja e Maria Stuart traz ao palco do Pax Julia uma criação contemporânea concebida na plenitude da linguagem operática: música, canto, representação, encenação, cenografia, figurinos e movimento cénico convergem num único espectáculo. Não se trata de um concerto com repertório de ópera, mas de uma obra dramático-musical pensada e realizada para o palco.

ENQUADRAMENTO
Maria Stuart tinha seis dias quando a morte de Jaime V a tornou rainha da Escócia. Nove meses depois, era coroada na capela real do Castelo de Stirling. Sobre essa condição excepcional se ergueu um destino que atravessaria algumas das grandes convulsões políticas e religiosas da Europa do século XVI e faria de Maria uma das figuras mais controversas da história europeia.
Rainha da Escócia, rainha de França pelo casamento com Francisco II e detentora de uma forte pretensão dinástica ao trono inglês, Maria Stuart viveu alianças, matrimónios, conflitos religiosos, rebeliões e jogos de poder. Obrigada a abdicar em 1567, procurou refúgio em Inglaterra no ano seguinte. Encontrou, porém, o cativeiro: Isabel I manteve-a prisioneira durante 19 anos, até que o seu envolvimento nas conspirações que ameaçavam a Coroa inglesa conduziu ao julgamento e à execução, em 1587.
A morte não encerrou a disputa em torno da sua figura. Pelo contrário, Maria Stuart atravessou os séculos sob imagens quase inconciliáveis: conspiradora e vítima, soberana temerária e mártir, mulher arrastada pelas circunstâncias e protagonista da própria ruína.

RESUMO DA ÓPERA
É da linhagem dual acima descrita que parte Maria Stuart, ópera de câmara produzida por LaJoven — Fundación Teatro Joven, com música de Martin Hennessy, texto de Irma Correa e direcção de José Luis Arellano García, a partir da biografia de Stefan Zweig. Estreada a 17 de Março de 2025 no Real Teatro de Retiro, em Madrid, a criação interroga um problema vasto: o que sucede a uma pessoa quando o poder lhe é imposto antes mesmo da formação da identidade? E que margem de liberdade resta quando afectos, desejo e ambição se tornam também matérias de Estado?
A opção pela ópera de câmara acentua a intimidade desse confronto. Em lugar da escala monumental tantas vezes associada ao drama histórico, a obra concentra-se num pequeno núcleo de intérpretes e instrumentistas. Carla Sampedro assume Maria Stuart; Daniel Esteban e Alba M. Moraga desdobram-se nas personagens que cercam a rainha e intervêm igualmente na construção cénica da figura do cavalo, imagem associada ao movimento, à fuga e à liberdade. Cristina Sanz e Alberto Granados Reguilón asseguram uma textura instrumental que cruza piano, violino, flauta, sintetizadores, percussão e trompete.

Org. Pedra Angular
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